quarta-feira, 9 de agosto de 2017

ARGAMASSAS: CONTEXTOS DE APLICAÇÃO, SISTEMAS E REQUISITOS


Créditos pela foto: Willian S. Cruz

Tecnologia das argamassas

Marco Antônio de Morais Alcantara

As argamassas são compostas a partir da reunião de um aglomerante, da água e de agregado miúdo. Podem exercer funções diversas, e estas são mais notadas conforme os elementos construtivos aos quais elas estão incorporadas, tais como, nos casos das alvenarias, onde elas cumprem o papel de ligante das unidades, e promovem as condições de assentamento; e as argamassas podem ainda cumprir o papel de proteção, como nos casos de argamassas de revestimento. Citam-se ainda os casos de argamassas estruturais, com a finalidade reparos ou de reforços de estruturas, e ainda, convém ressaltar que as argamassas podem ser compreendidas como uma das fases dos concretos, quando se considera que ela, e a fase dos agregados graúdos, possuem diferentes responsabilidades dentro do compósito. Nesta seção serão consideradas as argamassas de assentamento e de revestimento, em termos de suas contingências.

Quando em aplicação as argamassas podem ser submetidas a diferentes processos tecnológicos, requerendo-se destas, diferentes qualificações, em termos de suas propriedades reológicas. Busca-se compatibilidade entre suas condições de plasticidade, de mobilidade, e as diversas ações envolvidas no processo de aplicação. No estado endurecido, as argamassas devem ter também as suas condições de desempenho, em especial, a resistência mecânica e a impermeabilidade.

Atualmente as argamassas podem ser enriquecidas com adições minerais e aditivos que podem auxiliar no cumprimento destas funções.

Com objetivos diversos, têm sido desenvolvido e comercializados produtos particulares para o aprimoramento das propriedades das argamassas, tais como: promover melhor condição de adesão, a impermeabilização, ou ainda, torna-la fluida (ao invés de plástica).

As propriedades requeridas das argamassas estão em coerência com as funções que elas atuam; podem ser destacadas algumas delas, em especial para alvenarias:

Argamassa de assentamento: estas devem aglomerar as unidades de alvenaria, promover a distribuição dos esforços dos blocos, absorver as deformações naturais que a alvenaria está sujeita,  e selar as juntas.

Para fins do manuseio, ela deve ser trabalhável, com a consistência plástica compatível com a aplicação, sendo deformável suficientemente para o espalhamento; deve apresentar boa retenção de água, e aderência ao substrato, para fins de ancoragem; e ainda, deve desenvolver resistência mecânica à prazo compatível para a sua auto sustentação. À longo prazo, para o seu desempenho, deve ganhar impermeabilidade, de modo a se conferir a durabilidade. Para ser capaz de absorver deformações, ela deve apresentar "resiliência", em contraste com a "rigidez".

As argamassas de revestimento: as argamassas de revestimento apresentam requisitos conforme as suas funções, quando na proteção da alvenaria; destaca-se o caso da proteção com relação à ação da umidade, a qual pode contribuir para a percolação de água e de sais, que são conduzidos juntamente, podendo formar manchas nas paredes; assim como, considera-se importante a proteção com relação aos ciclos de absorção e secagem, os quais podem conduzir a degradação da alvenaria e à perda de massa; ainda, têm-se os casos dos ciclos térmicos, os quais também podem influenciar contribuindo para a microfissuração interna. 

A argamassa de revestimento também tem a função de receber o acabamento externo, o qual pode ser à base de pintura, ou de algum tipo de placa, sendo um elemento de transição com propriedades requeridas em compatibilidade com a camada de revestimento.

Estando integradas ao conjunto da edificação, as argamassas de revestimento podem estar sujeitas à influência das alterações que possam ocorrer em especial na argamassa de assentamento, como, a dilatação vertical, que nelas  tende a produzir trincas e fissuras horizontais. No caso do assentamento de revestimento cerâmico ou de azulejos, uma interação pode ocorrer nas interfaces, e que pode implicar no descolamento das peças, ou da sua fissuração.

Como requisitos de aplicação, as argamassas de revestimento devem então apresentar boa aderência ao substrato, plasticidade, baixa permeabilidade, e baixa retratilidade.

Os sistemas de argamassas de revestimento se compõem basicamente de (i) chapisco, a qual é a camada de ancoragem do emboço, (ii) emboço, que é a camada de regularização, e, finalmente tem-se o (iii) reboco, sendo este a camada de acabamento. Compatibilidades deve haver entre a argamassa e o tipo de superfície a receber o revestimento, de modo a se promover efetivamente a ancoragem e adesão deste, assim como, deve ser coerente a espessura do revestimento, de modo a não haver o descolamento.


Bibliografia

CARASEK, H. Argamassas, Materiais de construção civil e princípios de ciência de materiais, São Paulo, 2007, IBRACON, p.863-904


CLAITON, J.M. Concreto autoadensável utilizando cinza de casca de arroz: Estudo das propriedades mecânicas. FEIS/UNESP, 2015, 95p. (Dissertação de mestrado)